Conheça “Saramandaia”, a nova novela das 23h

terça-feira, 25 de junho de 2013 Faça um comentário!

Livremente inspirada na obra original de Dias Gomes, a novela “Saramandaia”, com autoria de Ricardo Linhares, discutirá a resistência ao novo, ao diferente. A direção fica por conta de Denise Saraceni, Fabrício Mamberti, Natália Grimberg, Calvito Leal, Adriano Melo e Oscar Francisco. A nova versão da novela, traz de volta o realismo fantástico à teledramaturgia. A estreia aconteceu nesta segunda-feira pela TV Globo.

Bole-Bole, a cidade onde tudo pode acontecer. Divertida por si só, fica no alto de uma colina e a população costuma ouvir uivos nas noites de quinta-feira. Ali, a magia paira entre canaviais, bosques e lençóis d’água.

As placas na estrada indicam o caminho, mas seu C.E.P. é desconhecido. Pode estar no interior de qualquer parte do país. Se a arquitetura fosse uma pista, construções barrocas, góticas, em art déco e vanguardistas não ajudariam. As antigas ruínas da cidade indicam qualquer coisa, menos que o lugar parou no tempo. Computadores, tablets e smartphones mostram que, se até a modernidade a encontrou no mapa, não deve ser tão difícil chegar a Bole-Bole.

De carroça, bicicleta, moto-táxi ou ônibus, não importa. Todos eles trafegam sem competição com clássicos conversíveis e incríveis possantes. Em suas ruas, cavalos, cabritos e porcos passeiam pelos exóticos jardins de topiaria. Os dois coretos da praça central frequentemente se enchem de música, ao lado da igreja de Santo Dias, padroeiro da cidade, que abençoa toda esta miscelânea.

Nos arredores de Bole-Bole, um parque de diversões abandonado ainda se ilumina à noite para conduzir casais apaixonados. E perto dali também está uma floresta encantada onde encontros acontecem em sonho e realidade. Mágica também parece ser a cadeia municipal: sempre aberta, o delegado, muito íntegro e respeitado, trata seu único preso como um hóspede e orgulha-se de nunca ter registrado uma fuga sequer.

Entre seus habitantes, há o que prevê chuva por uma estranha dor nas costelas. Um mais nervoso que solta formigas pelo nariz. E a apaixonada que literalmente queima de desejo por seu amado. Tudo muito normal...

Falam sem sotaque e fazem uso de um extenso e curioso vocabulário que bastantemente mostra a exagerância presente nos conversórios de seus moradores. Porque se há uma coisa que gostam de fazer, é confabular. Principalmente depois que jovens progressistas se uniram em torno de um sonho premonitório: mudar o nome da cidade para Saramandaia e, com isso, trazer novos ares depois de anos da velha-guarda no poder. Por trás do movimento, uma antiga disputa, entre duas famílias rivais, Vilar e Rosado, pelo poder na região.

O pitoresco local é um caldeirão de contradições. Sua identidade é a diversidade. A mistura de estilos, de crenças e raças parece conviver pacificamente. Sua democracia é falha, com os mandos e desmandos dos dinossauros da política, que lutam por manter seus interesses pessoais. O bizarro já é normal e os absurdos não espantam, são corriqueiros, parte da rotina. Mas sua juventude é ativa, tem voz, corpo... e ferramentas: através da internet e das redes sociais, sopra o suave vento de mudança que não aceita as injustiças e quer mudar o mundo.

A cidade está partida. A esperança no futuro divide as pessoas. Bolebolenses e saramandistas anseiam pelo plebiscito que decidirá o nome do lugar e marcará o começo de um novo tempo para seus ilustres moradores.

Um dia, o vereador João Gibão (Sergio Guizé) acordou assustado. Havia sonhado que a cidade deveria se chamar Saramandaia para finalmente alcançar a paz e a tolerância. Habituado com as visões premonitórias que costuma ter, apresentou o projeto na Câmara e logo conseguiu um bom apoio, liderando o movimento e incomodando os tradicionalistas de Bole-Bole.

O sonho resume o seu principal desejo: deixar de sofrer por sentir-se diferente dos outros. Cheio de complexos, João sempre foi motivo de chacota por causa de uma suposta corcunda, escondida embaixo do gibão que não tira nem para nadar. Mas o que existe mesmo em suas costas é um par de asas.

Leocádia (Renata Sorrah) é a única que sabe da condição de João. A viúva compreende a dor do filho e corta suas asas de tempos em tempos com uma tesoura de jardim para mantê-las em segredo. Enquanto as penas caem no chão, João questiona por que nasceu com esta sina e sempre escuta o mesmo da mãe: ser diferente não é motivo de vergonha. Seus conflitos fazem dele um homem solitário e introspectivo, mas nem por isso deixa de ser firme e de lutar pelo o que quer.

Dono de uma loja de pássaros, quando pode, toca trombone na banda do maestro Totó (Zéu Britto). Além da visita de um gavião, que pousa em seus ombros esporadicamente, João tem a companhia de Marcina (Chandelly Braz), por quem é apaixonado. Esse amor só aumenta ainda mais suas angústias, já que a namorada não entende o motivo de tanta reserva.

Cordial e generoso, este homem alado tem um coração enorme e uma grande admiração pelo irmão Lua Viana (Fernando Belo). Mas nem por isso permite que ele saiba de suas asas. Tem pavor de que o rejeitem ainda mais.

Lua é o prefeito da cidade. Aliás, o prefeito que toda cidade gostaria de ter. Apartidário e honesto, governa para o povo, sem levar em consideração interesses próprios nem se dobrar a ameaças dos poderosos da região. Depois de anos das administrações centralizadoras do fazendeiro Zico Rosado (José Mayer), Lua foi eleito por habitantes cansados das desavenças entre as famílias rivais. Aprendeu com a origem humilde a ser tolerante e assim se manteve durante os estudos em São Paulo. Mesmo com um irmão saramandista, não se posiciona e é justamente sua neutralidade que incomoda a namorada Zélia Vilar (Leandra Leal), grande amiga e parceria do cunhado João. Não escolherá um lado nem mesmo quando a disputa se acirrar e tomar conta de Bole-Bole.

Tibério Vilar (Tarcísio Meira) nasceu e cresceu convivendo com o ódio de sua família pelos Rosado. Aprendeu a sentir o mesmo pelos rivais, sem nem entender o porquê de tanta animosidade. Em seus áureos tempos, foi extremamente violento no comando da fazenda... talvez para tentar extirpar a grande frustração de sua vida: não ter conseguido lutar pelo amor de Candinha (Fernanda Montenegro).

Também pudera, a amada carregava o sobrenome Rosado e a união dos dois jamais seria aceita. Separados, cada um criou sua família, mas ainda esperam o dia em que se encontrarão novamente – sabem, de alguma maneira, que terminarão juntos. O medalhão de ouro com a foto de Tibério, que Candinha nunca tira do pescoço, é prova de que o amor não morreu.

Hoje, Tibério vive enfurnado dentro de casa. De tanto passar os dias em sua poltrona na sala, começou a criar raízes, que lhe saem das pernas e penetram pelo chão. O fato de estar tornando-se uma árvore não o incomoda, mas resmunga quando Cleide (Ilva Niño), a sensata e fiel governanta da casa, recolhe alguns galhos e folhas de seus ombros. Parece estar sempre cochilando, alheio a tudo, sem entender o que se passa. Porém escuta perfeitamente e tem conhecimento de cada movimento de sua fazenda e da cidade. Quando alguns fatos do passado vierem à tona, mostrará todo o vigor que ainda tem.

Tibério (Tarcísio Meira) se orgulha do gênio forte de seus netos Pedro (André Bankoff) e Zélia (Leandra Leal), a quem entregou a administração dos canaviais e da usina de açúcar e álcool da família. Criados em São Paulo pela mãe Vitória (Lilia Cabral), os dois decidiram ficar com o avô depois de uma temporada na fazenda. Zélia, que é veterinária, se encantou pelos bichos do lugar e encontrou ali seu amor, o prefeito Lua Viana (Fernando Belo). Pedro, menos responsável, tem um namorico com Bia (Thaís Melchior), linda moradora de Bole-Bole, que também abraçará a causa saramandista.

Os irmãos encabeçam o movimento pela troca do nome da cidade. Com a ajuda dos amigos e de João Gibão (Sergio Guizé), de quem Zélia é cunhada, grande amiga e cúmplice, eles organizam manifestações que tiram Zico Rosado (José Mayer) do sério. Mas nem as formigas saúvas, que saltam pelo nariz do fazendeiro quando ele fica nervoso, amedrontam a determinada Zélia. Briguenta como ele, faz o que estiver ao seu alcance para enfrentá-lo. E como Bole-Bole é a cidade dos segredos e mistérios, mal sabe ela que essa semelhança de temperamento não é mera coincidência.

A veterinária só esmorece quando está ao lado do noivo. É com Lua que Zélia é mais feminina, mais romântica e deixa de ser tão geniosa. A não ser quando falam do plebiscito e Zélia cobra uma posição do prefeito, que prefere manter-se neutro.

Nesses momentos, Zélia é muito parecida com sua mãe. Vitória (Lilia Cabral) também não dá o braço a torcer facilmente. Elas se amam, mas brigam com frequência. E tudo vai piorar quando a empresária, depois de 30 anos em São Paulo, voltar à fazenda dos Vilar.

A volta de Vitória (Lilia Cabral) não vai só mexer com a filha Zélia (Leandra Leal) e com o pai Tibério (Tarcísio Meira). Esse forte vento do passado abalará principalmente o coração de um homem. Assim renascerá o amor proibido da segunda geração das famílias Vilar e Rosado.

Quando Vitória, agora viúva, e seu filho mais novo Tiago (Pedro Tergolina) pousarem de helicóptero em plena praça de Bole-Bole, a manifestação saramandista, o comício bolebolense e o cortejo fúnebre de um morador não serão nada perto do furacão provocado pela troca de olhares entre ela e Zico Rosado (José Mayer). O fazendeiro não vai acreditar que está diante de seu grande amor da adolescência.

Os dois resistirão a princípio, mas ao sentir novamente um delicado calor e suor, uma espécie de orvalho em sua pele, Vitória não terá dúvidas: ainda se derrete por Zico. A atração entre os dois é algo inexplicável. Zico nunca aceitou ter sido abandonado por Vitória há três décadas e sente um misto de paixão e vontade de domá-la. É quando o duro e violento fazendeiro mostra o seu lado mais doce.

Ela é uma empresária bem sucedida, uma mulher firme, acostumada a mandar e ser obedecida; apesar de amá-lo, não vai se dobrar facilmente às armações de Zico. Amorosa com os três filhos, ao perceber o embate entre Zélia e o fazendeiro, tentará aproximar os dois para acabar com a rivalidade entre as famílias e consertar um erro do passado, que lhe enche de culpa e remorso. O segredo abafado por tanto tempo é o real motivo que a fez regressar a Bole-Bole. Mas, como se não fosse pouco, Zico ainda é casado.

O conservadorismo dos Rosado

Helena (Ângela Figueiredo) é uma boa esposa, bonita, de gosto clássico. Recatada e submissa, quase não sai da fazenda Rosado. Prefere ficar ali, cuidando para que nada saia do gosto de Zico. Sente que o marido não a ama verdadeiramente, mas nem desconfia de seu romance com Vitória. Está mais preocupada com o formigamento excessivo do nariz do marido.

A matriarca dos Rosado também mora na fazenda. Viúva, Candinha (Fernanda Montenegro) passa os dias vagando pela casa, jogando ironias para a nora Helena e conversando com galinhas mágicas, que só ela e o público veem. As divertidas companheiras do dia a dia são “imaginárias” e, por isso, a família acha que a senhora já perdeu a lucidez. Mas é intuitiva, tem noção de tudo o que acontece ao seu redor. Só prefere ficar quieta, esperando o dia em que Tibério (Tarcísio Meira) irá buscá-la.

Quando a neta Laura (Lívia de Bueno) aparece na fazenda, Candinha crê que é mais uma galinha perdida. Com o choque e a emoção de Helena, acaba reconhecendo-a. É que a moça estava fora há anos, desde que fugiu de Bole-Bole atrás de um homem, abandonando, nas vésperas do casamento, o noivo Rochinha (André Frateschi), médico da cidade. O doutor nunca esqueceu a ex-namorada.

Laura sofreu uma grande decepção e passou o pão que o diabo amassou entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Esse diabo atende pelo nome de Carlito Prata (Marcos Pasquim), afilhado de Zico, que encantou e enganou a moça. O empresário é um jovem bonito, sedutor e ambicioso. Braço-direito do padrinho, corre para Bole-Bole depois que fica sabendo do plebiscito: precisa impedir que os saramandistas ganhem. É Carlito quem vai articular as piores armações para conseguir mais votos para Bole-Bole. Seu grande medo é que a cachaça homônima, de propriedade de Zico, perca prestígio com a troca do nome da cidade e os abale economicamente. Afinal, o produto é o melhor e o mais exportado do país na categoria.

Outra vez na cidade, Carlito vai voltar a perturbar Laura. Ainda apaixonada por ele, a moça cairá novamente em sua lábia enquanto se recupera de uma aparente doença. Pelo menos, é nisso em que todos creem. Zico Rosado confia tanto no afilhado que não perceberá a relação dos dois. E só permitirá que Laura fique na fazenda por interferência de sua neta Stela (Laura Neiva). A menina é a única na família que consegue amolecer o coração do avô. E assim fará sempre que a tia Laura, sua grande aliada, precisar.

A terceira geração, e quem sabe a última?!

Stela (Laura Neiva) é mesmo especial. A menina é o grande xodó do avô Zico e da bisavó Candinha. Foi criada por Helena (Ângela Figueiredo) depois que seu pai Zé Mário morreu, por encomenda dos Vilar, e crê que sua mãe faleceu no parto. Não desconfia que sua história também esconde um segredo.

Apesar de ter passado a vida inteira na fazenda, é antenada e contemporânea, curte moda e tecnologia. Gosta de acompanhar a avó nas viagens à capital. Mas, menos maliciosa que as garotas de sua idade, tem a pureza digna de seu fantástico dom: suas lágrimas de tristeza são capazes de dar força e fazer reviver qualquer ser morto, inclusive os humanos. Por não entender bem o que consegue realizar, nunca contou a ninguém esse mistério.

Um dia, passeando pela cidade, atrai o olhar de Tiago (Pedro Tergolina), filho mais novo de Vitória (Lilia Cabral). O menino é cria da cidade grande e, bastante urbano, só começa realmente a gostar de Bole-Bole depois de encantar-se com a beleza de Stela. Tenta aproximar-se dela, que resiste por saber do grande ódio que separa as famílias. O avô jamais permitira qualquer relação.

Mas Tiago, sem saber de nada, não desiste e acaba conseguindo um beijo de Stela. A partir daí, a menina contará com a amizade e cumplicidade da tia Laura (Lívia de Bueno) para encontrar-se às escondidas com o namorado. Apaixonados, parecem ser mais determinados que seus parentes a viver esse grande amor.

Nas noites de quinta-feira...

… é comum vê-lo perneando pela cidade. Enquanto espera a meia-noite, o distinto presidente do Centro Cívico ensaia seus rebuscados e intermináveis discursos a favor da causa bolebolense. Mas quando o ponteiro do relógio indica que já é sexta-feira, o uivo escutado por toda a cidade é do lobisomem em que se transforma o professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes).

Bole-Bole inteira comenta, mas ninguém nunca testemunhou nada. Recatado e tímido, Aristóbulo aceita com naturalidade sua condição, mas não dá abertura quando o assunto é sua vida noturna. Não dorme há mais de 10 anos e está sempre à procura de alguma coisa que lhe ajude a passar o tempo durante a madrugada.

Dona Pupu (Aracy Balabanian) acredita que a única solução para Neném, como chama o filho desde a infância, é encontrar uma esposa. Por isso simpatiza tanto com Risoleta (Debora Bloch), quando a conhece. A dona da pensão da cidade é caidinha por Aristóbulo e, sem medo algum, sonha com o dia em que o verá com as mãos peludas. Sua paixão é correspondida, mas o professor zela por sua reputação e tem pudores de entrar na pensão. É que Risoleta e suas meninas Dora (Carolina Bezerra) e Rosalice (Camila Luciolla) não são bem vistas pelas cidadãs bolebolenses. Bobagem! O ambiente da pousada é familiar e, à noite, os homens de Bole-Bole se reúnem no bar do estabelecimento para beber e conversar. Morador do local, Dr. Rochinha (André Frateschi) está sempre ali, afogando suas mágoas.

A sensual e provocadora dona da pensão é uma mulher de fibra. Não tem vergonha de seu passado em Serro Azul, cidadezinha próxima, nem se acovarda diante de Zico Rosado (José Mayer), com quem vive às turras. Assim como quase todos os moradores de Bole-Bole, Risoleta também tem seus segredos e arrependimentos.

A quase sogra Dona Pupu nem desconfia de que o amor de seu filho é uma ex-meretriz. Tanto tempo sem sair de casa, desde que ficou viúva, a deixou ainda mais avoadinha. A divertida e risonha senhora passa os dias ocupada em mimar o filho e cuidar do falecido marido. Belisário (Luiz Henrique Nogueira) pode assustar à primeira vista, mas é apenas uma simpática cabeça dentro de um frasco de vidro. Foi esse o único membro que os malfeitores deixaram para a família quando o mataram em uma emboscada. Companhia constante da esposa, Belisário toma sol e dança valsa com Pupu, interagindo com ela em seus pensamentos e devaneios.

Não discutam com Cazuza (Marcos Palmeira) sobre a troca do nome da cidade! Tradicionalista roxo, conservador e exímio bajulador de Zico Rosado (José Mayer), o dono da única farmácia da cidade pode se alterar e literalmente colocar o coração pela boca! Aí é um Deus nos acuda para segurar o queixo, apertar os lábios e engoli-lo novamente.

O problema é tão sério que já foi inclusive dado como morto, depois de uma acalorada conversa sobre o plebiscito na pensão de Risoleta (Debora Bloch). Desde que “desmorreu”, jurou à mulher Aparadeira (Ana Beatriz Nogueira) nunca mais colocar os pés no local. Apesar das escapulidas para encontrar os amigos, Cazuza é fiel e ama a esposa.

Pratrasmente, foi a parteira oficial de Bole-Bole. Hoje, quando todos têm filhos no hospital da cidade vizinha de Serro Azul, ela quase não pratica mais a profissão. Sua ocupação é ser a principal fuxiqueira da região. Aparadeira gosta de falar mal da vida dos outros e usa toda a sua energia para criticar João Gibão (Sergio Guizé), namorado da filha Marcina (Chandelly Braz). Para ela, o mundancista é culpado por tudo o que está acontecendo na cidade. Não poupa forças para diminuí-lo e tentar afastá-lo da filha, que deveria se casar com um fazendeiro rico e deixar essa besteira de movimento por Saramandaia. Tem horror por Gibão ser esquisito e não se enquadrar nos padrões convencionais.

Mas a linda e doce Marcina não liga. A moça é completamente apaixonada por João e o aceita do jeito que é. Por saber que o namorado esconde algo, pede apenas que confie nela e aceite seus carinhos. Mas, apesar de amá-la, Gibão não consegue se entregar completamente, deixando a moça em brasa. Marcina, louca pelo amado, arde de desejo não consumado: sua pele fica vermelha, a temperatura do corpo sobe além do que podem marcar os termômetros e tudo o que toca queima, sossegando apenas com água fria.

O namoro dos dois é puro e romântico. Marcina e Gibão se aceitam do jeito que são e dão o exemplo de que nem as diferenças são capazes de separar um grande sentimento.

Dona Redonda vem aí! Assim gritam as crianças cada vez que o solo de Bole-Bole treme com as pesadas passadas da distinta Evangelina, mais conhecida como Redonda (Vera Holtz). A senhora anda pela cidade com os seus mais de 250 quilos, entre idas à igreja e visitas às amigas Aparadeira (Ana Beatriz Barros) e Fifi (Georgeana Góes).

Tradicionalista ferrenha, não pode ver João Gibão pela frente. Até porque o vereador andou tendo umas visões com ela e pediu que se cuidasse, comendo menos. Sem tolerar que falem de sua vida gastronômica, isso foi o suficiente para que Redonda o execrasse e passasse a caçoar de sua corcunda.

Espalhafatosa e muito resmungona, só se mostra mais simpática quando o franzino e discreto marido Encolheu (Matheus Nachtergaele) elogia suas volumosas curvas e se encanta com a sua disposição para comer. O coitado sofre do estômago e, infelizmente, não tem o mesmo apetite que a esposa. Chefe de gabinete da prefeitura, Encolheu se diz apartidário como Lua Viana (Fernando Belo), mas em casa é um perfeito bolebolense. O consultor meteorológico da cidade prevê o tempo de acordo com a dor nos ossos de sua costela. Não erra nunca!

A filha Bia (Thaís Melchior) não segue a mesma ideologia dos pais. Namorada de Pedro (André Bankoff), ela é presença certa nas manifestações saramandistas, provocando a ira da mãe Redonda. Alegre e positiva, preza por sua independência apesar de querer casar.

 

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